201703.06
0

Cuca fresca

Sempre gostei de reinventar o mundo. A reciclagem e a reutilização de materiais são caminhos que nos permitem fazer isso e, agora, com mais cabeça e oportunidade para pensar no assunto, tenho me deparado com questionamentos (e hipocrisias) sobre o ser sustentável, que vira até produto de série e de mercado, com altos preços de venda.

Não falo do processo industrial de reciclagem, que coleta, separa o lixo, torna um produto com novo valor, totalmente transformado. Aqui entro no processo mais próximo de nós: as coisas do dia a dia, aquela caixa que queremos modificar para guardar fotos, a blusa cujo tecido vai compor uma bela colcha de retalhos. E até mesmo a maleta, sem função, que damos outro uso.

Reciclar nem sempre é sinônimo de qualidade e sustentabilidade, às vezes paga-se mais caro por algo “mais bonito”, mas que é um reciclado pomposo. Ora, reciclar não deveria partir do princípio de usar menos material e menos dinheiro em um produto? É por isso que decoro caixas de papelão e faço lembranças com embalagens criativas, baratas e que se decompõem mais facilmente do que outros materiais.

E não apenas isso: o barato não é sempre o mais adequado. A moda está aí para assinar embaixo, sempre com peças-chaves para combinar e recombinar com mil estilos. O Projeto 333 é um exemplo disso, mudar o conteúdo da mala e também nosso olhar sobre o consumo, e sobre o mundo.

Mais vale um produto caro, bonito e de boa qualidade, do que dez mais ou menos. É o que diz minha mãe, e concordo. Tenho bolsas, sandálias e outras coisas que duram há de mais de dez anos. Algumas ainda uso; volta e meia, componho um look despojado. Outros itens dou de presente a um amigo que fará bom proveito, ou eu mesma faço um bazar.

A ideia é, principalmente, pensar na nossa ação no mundo, e isso inclui nossa relação com as coisas, com os espaços que elas ocupam – físicos e emocionais –, e também como o destino delas. O único objeto que ainda não consegui superar o apego são os livros, mas pretendo segurar um pouco mais isso com meu Kindle – um investimento para economizar capital e espaço. Não, os livros não desaparecerão da minha vida, apenas os exemplares físicos podem ser em quantidades menores do que o de costume.