Os riscos do consumo em saúde

Mais do que conquistar uma vida mais saudável, a busca incessante pela “saúde perfeita” se tornou uma obsessão na sociedade e um perigo para o nosso corpo

Não é difícil encontrarmos sites, programas de televisão e revistas especializadas divulgação de produtos e métodos como alternativa para uma vida com mais qualidade. Basta um olhar rápido nas bancas de revistas para perceber que muitos dos conteúdos expostos se referem à beleza – dietas, cabelos, novos tratamentos, plano de exercícios e outros assuntos semelhantes.

De cápsulas fortificantes a produtos alimentares, o que se vê, cada vez mais, é a divulgação de um estilo de vida associado a um físico perfeito, a uma alimentação restritiva e a um esforço que é apenas individual. Mas, na prática, esse estilo mal adequado pode nos trazer muitos danos à nossa saúde. Podemos até conseguir o corpo ideal, porém, em oposição a uma vida melhor, vai faltar o essencial: a qualidade.

O “ser saudável” virou sinônimo de uma saúde perfeita, constante, sem “erros” na alimentação ou nos exercícios. Aliada ao consumo de novos produtos, a saúde passou a ser vendida em cápsulas da longevidade, pílulas de emagrecimento, shakes poderosos e até métodos cirúrgicos não tão seguros.

Falta o essencial: a nossa relação com o nosso organismo. Essa relação foi mudando ao longo da história da própria medicina e da relação do homem com seu próprio corpo. O que preocupa nesse novo modelo padrão de vida saudável é o mau uso ou o uso inadequado dos produtos e alimentos, seja pelo excesso ou pela falta.

Tem faltado a nós o cheiro, o gosto, o sabor dos alimentos. O prazer de uma atividade física como hobby e, consequentemente, como benefício ao corpo. Um exagero na contagem de calorias sem nutrientes, nas sobrecargas de exercícios, na fome provocada e no reflexo do mau-humor e privação de alguns prazeres. Ter uma vida saudável é, antes de tudo, o equilíbrio. Corpo, espírito e mente. Sem uma boa cabeça não há como conquistar uma boa vida.

 

Texto publicado no site Dieta e Nutrição e no blog Immagine



 

A moda nada saudável dos salgados gigantes

Com medidas extravagantes, as guloseimas desafiam a nossa saúde e banalizam o ato de comer

O excesso de comida sempre foi motor de muitos campeonatos e disputas em vários países, como torneios de pizza e de hambúrguer, nada difíceis de ver na televisão. Aqui no Brasil, a gula ganhou mais destaque em fevereiro deste ano com o lançamento da coxinha gigante, de um quilo, numa padaria de São Paulo.

A padaria fez um torneio de lançamento da supercoxinha: quem conseguisse devorar, sozinho, a coxinha de 1kg em menos de dez minutos não pagaria pelo alimento e teria sua foto exibida nos televisores do local. Além disso, o concorrente concorreria ao sorteio de um prêmio no final do mês. Detalhe? A supercoxinha de frango com catupiry consegue alimentar até quatro pessoas.

E aí a moda pegou de vez: hambúrguer com 10 fatias de bacon, churros de três metros e pastéis gigantes. Esses são só alguns exemplos de como a prática da gula tem sido exaltada na sociedade, em oposição à alimentação saudável e equilibrada. Não me recordo de nenhum campeonato que envolvesse alimentação saudável (e gostosa) ou uma feira exclusiva de comidas naturais. Penso que isso sim seria um desafio!

Em meio a tanta oferta de comida, as que possuem maior quantidade calórica e trazem outras substâncias que estão mais relacionadas às doenças são objetos de desejo de quem arrisca brincar com a saúde. É como um fruto proibido que, quanto mais mal for capaz de fazer, maior é o desafio de comê-lo.

Minha avó não comeria essa coxinha de um quilo nem no almoço, quem diria no lanche da tarde. Nada contra as coxinhas, que por sinal eu adoro, mas o fato é que, cada vez mais, comemos alimento processado, em excesso, frituras, carboidratos, sódio, açúcar acima – mas muito acima – do essencial. Reparem nos carrinhos de supermercado: alimentos em latas e caixas. Esses dias o único vegetal que o casal da minha frente colocou no carrinho do mercado foram ervilhas congeladas.

Um campeonato pode até ser divertido, por um instante, mas ele chama a atenção porque é a luta do ser humano com um monte de massa, carboidrato e óleo. Não tem sabor, não tem cor, não tem nutrição. São porcarias, literalmente, é só olhar a sujeira em volta. O grande perigo dessas disputas é a banalização da comida e a extensão desse hábito para nossa casa. Mas esse é um assunto para outro artigo, nesse as comidas gigantes ocuparam todo o espaço.

 

Texto publicado no site Dieta e Nutrição




Cidade, pra quê te quero?

 Nossa relação com os espaços vai muito além de espaços locais físicos, é carregada de afetos, sentimentos, cuidados e também resistências

Sempre gostei de conhecer cidades, em suas diversas formas e sentidos. A cidade é o espaço ocupado, vibrante, denso e sensível, fruto de uma necessidade humana de se fixar, de estabelecer raízes e de se desenvolver em diferentes aspectos. Pensar a cidade não é possível sem levar em conta os afetos, a relação com a terra e os espaços físico e imaterial.

Imaginando Barreiras, lembro das histórias de exploração e expansão territorial na Pré-História, que tanto li nos livros, e do desenvolvimento econômico, agropecuário e, sobretudo, cultural. Vejo uma forte relação com o espaço pautada pelo afeto e pelo cuidado – o que não exclui a necessidade de melhorar essa relação, inclusive no sentido de valorizá-la. Há um sentimento especial com os rios, com o sol que beira a cidade, com a terra.

Talvez até mesmo por isso não vejamos o lugar como um local somente de ocupação e sobrevivência, mas, sobretudo, de afeto e preservação. Acredito que haja um misto de contemplação e um olhar simples sob esse espaço – um lugar em que foi possível viver, crescer e continuar -, do que apenas as histórias mal contadas e com ralos argumentos e percepções acerca de um povo de pouca consciência e iniciativa para o trabalho.

A não exploração econômica de um espaço pelo viés que, costumeiramente, é viável ou ideal, segundo uma lógica capitalista, pode ser fruto de uma forma diferente de se relacionar com a cidade e o espaço territorial. O desenvolvimento do setor de serviços aponta um pouco para esse viés de atenção, cuidado, recepção e valorização.

Estar sempre aberto ao novo e também ao desapego material e físico me parece uma maneira alternativa de relacionamento entre pessoas, entre pessoas e lugares, entre pessoas e o diferente. E porque isso não seria algo bom? Ora, se não fossem os ventos contrários não haveria revoluções, tecnologia, avanços a partir das necessidades humanas. A resistência e a manutenção de tradições, costumes e pensamento é também uma forma de reação e sobrevivência – não ao novo e às mudanças, mas ao que pode avassalar uma história e ser encalhado no rio.

Texto publicado no site do projeto Salve Barreiras.